Bate-papo com Flávio Wittlin e Cintia Gomes: saúde e cuidado em tempos de coronavírus

Ainda em curso, a pandemia coronavírus causa muitas incertezas. Entre tantas inseguranças, uma coisa é certa: é preciso ser responsável, cuidar de si e dos outros. No momento, a melhor forma de contribuir para o combate ao vírus é seguir as recomendações dos órgãos públicos (nacionais e internacionais) de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), acentuar os hábitos de higiene para contenção do vírus e ficar em casa.

Para falar Entre Nós sobre a importância de atender ao chamado das autoridades de saúde, e evitar uma situação mais grave, e, especialmente, sanar dúvidas, o Bate-papo desta edição convidou o médico clínico-geral Flávio Wittlin, gerente de saúde do Sesc RJ, e a psicóloga Cintia Gomes, colaboradora do Senac RJ.

Juntos, os especialistas irão, em uma sequência de duas reportagens, oferecer informação segura e dar dicas de como enfrentar o momento mantendo corpo e mente sãos.

Leia a primeira matéria do Bate-papo Entre Nós sobre a importância de ficar em casa, e praticar hábitos saudáveis, como exercícios e alimentação. Se informe, #fiqueemcasa, fique seguro e mantenha os outros seguros.

Manter-se em isolamento, em casa, o que inclui não receber amigos ou familiares e, ainda, evitar ao máximo ir até a rua, saindo apenas quando extremamente necessário, como para comprar comida ou remédios, é um ato de consciência, respeito e amor ao próximo.

A recomendação de isolamento horizontal (que mantém todos em casa, sem distinção de idade, e se estende a todos aqueles cuja profissão permite o distanciamento social) evita a proliferação do vírus. Sobretudo, a medida de afastamento social visa impedir que o sistema de saúde entre em colapso, ocasionando um número muito maior de mortes – que poderiam ser evitadas caso o atendimento fosse feito sem sobrecarga. “Neste momento, em nome de todos, não há espaço para o arbítrio individual de cada um. É preciso ficar em casa e seguir as indicações das autoridades de saúde”, reforça o médico Flávio Wittlin.

A psicóloga Cintia Gomes é também taxativa na necessidade de manter-se em “quarentena” social. “Obedecer ao isolamento social não é uma questão política e, sim, de saúde pública! É no mínimo irresponsável não cumprir as recomendações. Precisamos, como cidadãos, assumir nossa responsabilidade, já que a atitude de uma pessoa gera efeitos para todas as outras”, disse.

Clínico geral, Flavio Wittlin esclarece, ainda, que as medidas de isolamento são um pacto social que cada um de nós faz com aqueles que, por diversos motivos, não podem praticar o afastamento social.

“Além dos profissionais da saúde e de indivíduos que precisam trabalhar para que a sociedade funcione minimamente, há a população em situação de rua, que, vulnerável, fica mais protegida quando há baixa circulação do vírus.”

Já que a recomendação é clara, #fiqueemcasa, o jeito é lançar mão de dicas e variados recursos para superar o período da melhor forma possível.

Os especialistas são unânimes em afirmar que cultivar uma rotina ajuda, e muito, a pessoa a organizar a mente para passar por esse período. Além disso, é preciso levar em conta a necessidade de manter a saúde em dia, alimentando-se bem e mantendo-se ativo, ainda que de forma limitada. “Precisamos de determinação e criatividade. A comparação é pesada, mas é como se a Covid-19 tivesse nos condenado à prisão domiciliar por um tempo. Então, como os presos em regime domiciliar, devemos todos praticar atividades físicas. Do contrário, o aumento do peso corporal, agravamento de doenças crônicas e riscos de complicação e estresse mental, por exemplo, aparecerão rapidamente”, comentou Wittlin.

No entanto, já que exercícios físicos na rua e em espaços abertos não são recomendados, como garantir uma dose diária de endorfinas (hormônio liberado durante exercícios e que ajudam no bem-estar de corpo e mente)? A recomendação é que a pessoa mantenha, sim, o corpo em movimento, mas, dentro de casa.Ninguém está dizendo que é fácil. Porém, é necessário. Usar criatividade, assistir aulas online, lives, tudo o que puder ajudar a mexer o corpo é válido”, comentou Cintia Gomes.

Acesse aqui todas as atividades gratuitas que o Sesc tem para você nesta quarentena.

Em relação à alimentação, Wittlin afirma não ser necessário nada muito diferente do recomendado ao dia a dia:

“A preferência deve ser por comida feita em casa, com verduras, legumes e frutas, o bom e velho feijão com arroz, carnes, preferencialmente magras, e sobremesas pouco calóricas. Para beber, se possível, o consumo deve ser de água mineral, pois desde a contaminação das águas da Cedae, não houve confirmação oficial a respeito da potabilidade da água”.

O médico ainda alerta para a importância dos cuidados com a higienização de alimentos e outros objetos que vêm do supermercado, de modo a evitar contaminar-se. “Alimentos devem ser higienizados com hipoclorito ou água sanitária (uma colher de sopa para cada litro de água, deixando os alimentos de molho por 30 minutos). O papelão e o plástico oferecem risco de transmissão, pois são superfícies em que o vírus fica vivo por até 24h e 72h, respectivamente. Tenha atenção ao manuseio, descarte-os ou os deixe em quarentena em um lugar arejado e que não ofereça risco a outras pessoas”, orientou o especialista.

Na próxima reportagem, você vai conferir a orientação dos especialistas para cuidar da saúde mental e emocional, além de respostas às principais dúvidas clínicas e médicas com Flávio Wittlin. Não deixe de conferir!

 

 

Veja a segunda parte do bate-papo aqui!