Bate-papo com Paulo Damasceno

Há 31 anos no Sesc, Paulo Damasceno, Gerente de Assistência do Sesc RJ é o entrevistado de junho da seção Bate-papo. Nara Conceição, mediadora de leituras no Sesc Copacabana, e Priscila Lemos, da Gerência de Responsabilidade Social da Sede do Senac RJ, foram as colaboradoras responsáveis pela conversa com o gestor, cuja gerência tem posição estratégica e na linha de frente no apoio à sociedade durante a crise da Covid-19.

Adaptação e propósito: a Gerência de Assistência do Sesc RJ em meio à crise do Coronavírus

Responsável por programas e ações com todas as faixas etárias, como o Trabalho Social com Idosos, Crianças, artesãos, refugiados, segurança alimentar e apoio social, juventudes e o Mesa Brasil, a Assistência precisou se adaptar e enfrentar desafios inimagináveis para continuar apoiando os milhares de usuários e pessoas que contam com o Sesc RJ.

Novos protocolos e metodologias foram implementados, de modo a manter o contato com os grupos de idosos, famílias e jovens assistidos pelos programas das Unidades Sesc. Tudo com apoio da conectividade. Eles deram vida a grupos de WhatsApp, encontros por chamada de vídeo, cartilhas dedicadas à infância, com temas que vão desde recreação à prevenção da violência infantil, e incontáveis ação de socorro à sociedade.

Mutirões e campanhas para a produção voluntária de máscaras reuniram esforços de quase todas as Unidades Sesc no Rio de Janeiro. Ao todo, a Assistência produziu e doou mais de 50 mil máscaras (veja aqui, em Da casa, a história de Paula Gueiros, gerente da Unidade Teresópolis, voluntária desta missão).

Ainda, sob a bandeira do Mesa Brasil, a campanha #MesaSemFome, do Sesc RJ, mobiliza sociedade civil e entidades privadas para arrecadar alimentos e apoiar pessoas vulneráveis, em situação de fome ou insegurança alimentar ainda mais atingidas neste período.

Para saber mais sobre as ações de Assistência do Sesc RJ durante a pandemia, acesse aqui.

A trajetória de Paulo, à frente da área de assistência do Rio desde 2018, começou no Regional Ceará como estagiário. Aliás, no Sesc, o jovem Paulo, que possui formação em pedagogia e arte-educação, além de especialização em artes plásticas, sustentabilidade e gestão de projetos e recursos humanos, teve a chance do primeiro emprego. Foi reconhecido pelo Departamento Nacional RJ, na década de 90 através do Projeto ArteSesc como técnico em artes plásticas especializado a substituir os técnicos nas capacitações metodológicas nos Regionais de Porto Velho, Teresina, Parnaíba e Pernambuco.

Filho mais novo entre 14 irmãos, ele nasceu em Caucaia (município da região metropolitana de Fortaleza) e atuou em muitas frentes a serviço do Sesc. Foi justamente querendo saber sobre as três décadas de trabalho de Paulo, que Nara deu início ao bate-papo. A colaboradora pediu que o gerente falasse um pouco mais dos lugares por onde passou. Pedido a que Paulo, afeito a um bom papo, atendeu com a alegria característica de sua personalidade:

— Comecei no Sesc Iparana [hoje, Colônia Ecológica Sesc Iparana, localizada em Caucaia, município a 15 quilômetros da capital Fortaleza] como estagiário. Depois, fui efetivado como recreador e, posteriormente, transferido para a Sede do Regional Ceará no segmento de artes plásticas da área de Cultura. Os anos passaram, e tive a chance de ocupar o cargo de gerente de Unidade. Daí em diante, foi muita andança. Tive a honra de gerir as Unidades de Crato, Juazeiro do Norte [ambos municípios na Região do Cariri, Sertão do Ceará] e, mais tarde, seguir para o Rio de Janeiro.

A primeira experiência de Paulo no Sesc RJ aconteceu em 2014. Foi uma visita breve, mas que deixou marcas profundas. “Vim como membro da equipe da Regina Pinho. Conheci as Unidades, quase todas as equipes e pessoas. Me apaixonei por esta cidade que, hoje, considero minha. Sou um carioca e ai de quem falar mal do Rio perto de mim!”

Atuando na ponta prestando serviços à sociedade, em contato direto e diário com as pessoas em projetos e Unidades, a nova dinâmica imposta pela pandemia coronavírus para a gestão das atividades foi o tema levantado por Priscila durante a conversa. Ela perguntou ao gestor como foi adaptar as atividades, de modo a oferecer ainda mais suporte à sociedade neste momento tão duro, e como tem sido agora a condução e implementação dos programas de assistência.

— Não foi nem tem sido fácil. Num primeiro momento, eu não quis acreditar como nós, que precisamos do olho no olho com as pessoas para entender que tipo de ajuda ofertar, iriamos assisti-las sem poder nos movimentar. Demoramos alguns dias para assimilar o cenário. Mas somos uma equipe extremamente capaz, e as pessoas não podem esperar por ajuda. Nos estruturamos, estudamos as características de cada grupo que assistimos, desenvolvemos metodologias, nos articulamos a outras áreas e segmentos da sociedade. Hoje, pouco mais de três meses depois do início da pandemia, implementamos um Sistema de Apoio Assistencial Durante Pandemias que servirá de modelo em nosso país e no mundo.

Além de uma alma inquieta e um pesquisador de campo, como ele mesmo se define, Paulo é um homem com diferentes inclinações artísticas. Quando jovem, estudou regência e música. O contato com o segmento de cultura no Sesc o levou a estudar também artes plásticas. Nas horas vagas, ele desenha, pinta e ouve muita música clássica, seu gênero preferido, embora também goste muito de MPB.

Em tempos de pandemia, com as emoções à flor da pele, Nara quis saber como o gestor tem lidado com a tensão gerada pela situação de pandemia no mundo e a saudade da família no Ceará. “Sou um homem de fé e, neste momento, tenho conversado muito com Deus em busca de equilíbrio. Estou longe da minha mãe, dos meus filhos e do meu neto, Pedro Hugo, que completou dois anos por esses dias. Eu não pude estar lá neste momento. Estou sentindo muito tudo isso, mas tenho aqui uma missão a cumprir. Tenho me apoiado também muito na minha equipe, esse verdadeiro exército que trabalha comigo, meus parceiros de assistência. Ainda, aproveitei este período de isolamento para me dedicar a leituras acadêmicas e escrever artigos para revistas científicas dos segmentos de sustentabilidade e responsabilidade social”, explicou Paulo, que está prestes a concluir mestrado em administração, com enfoque em responsabilidade social, e pretende dar sequência ao trabalho em um doutorado.

Felizes com a partilha, Nara, Priscila e Paulo gostariam de ficar horas trocando experiências no encontro para a seção Bate-papo que, em mais uma edição, por conta do isolamento social, aconteceu via chamada de vídeo. Mas as demandas de trabalho do trio exigiam que se despedissem e seguissem com a sensação de admiração recíproca.

Para finalizar, Priscila pediu que Paulo deixasse uma mensagem de esperança e conforto aos colegas de Sesc RJ e Senac RJ. “Nós precisamos sair diferentes disso tudo, transformados. Devemos repensar nossas atitudes, expectativas. Precisamos sair pessoas melhores, mais solidárias e responsáveis conosco e com o mundo ao redor”, finalizou o gestor.

 

 

 

 

 

 

 

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