Bate-papo com Heber Moura

Diretor de Comunicação do Sistema Fecomércio-RJ, Heber Moura é o convidado da seção Bate-papo com a Liderança edição de maio. Em tempos de distanciamento social em combate à Covid-19, o encontro, costumeiramente ao vivo, na Sede Flamengo, se adaptou e aconteceu por meio de videoconferência.

João Felipe Germano, supervisor técnico da Unidade Senac de Nova Iguaçu, e Roberto Palermo, da Gerência de Processos e Projetos do Sesc RJ, foram os colaboradores escalados para a missão. Juntos, os três trocaram experiências sobre o isolamento social, home office em tempos de coronavírus, desafios e outras impressões. Confira!

Ponto de contato entre a Fecomércio e o Sistema S com o público, interno e externo neste período, o setor de Comunicação e Marketing tem desempenhado papel fundamental. Nada mais oportuno, portanto, do que uma conversa com quem é responsável por orquestrar e supervisionar essas atividades.

É a Comunicação quem se encarrega de articular informações com todos os demais setores do Sesc RJ e Senac RJ para fazer chegar mensagens e serviços, antes oferecidos pelas Unidades, à sociedade. Ainda, é a o setor a se encarregar de manter todos os colaboradores informados, coesos e prontos para a ação, ainda que de casa.

E foi justamente sobre esse contexto que Roberto deu início à entrevista. Ele quis saber do gestor como ele enxergava essa tarefa da Comunicação em meio à crise Covid e de que maneira vinha atuando para estruturar as demandas ao lado da equipe. “Neste momento, tem ficado ainda mais clara a função da comunicação nas organizações. É um desafio, há muita cobrança, mas também é hora de reforçar o papel das mídias digitais e canais de comunicação como difusoras da missão e propósito da empresa e, no caso do Sesc RJ e Senac RJ, possibilitadoras dos nossos dos serviços”, disse Heber.

Aproveitando o tema, João perguntou a Heber se algum case ou ação de comunicação chamara a atenção dele nesse período no que diz respeito à inovação ou mobilização de esforços e públicos. “Vejo muitas empresas se inovando, e pessoas realizando iniciativas de muita valia. O brasileiro é muito generoso. Internamente, não posso deixar de falar da atuação eficiente e eficaz da Comunicação. Ações também de produção EPIs [equipamentos de proteção individual, máscara, aventais) para doação e projetos como o Mesa Brasil ganharam destaque, pela adaptação de atividades atender o nosso propósito de servir ao social”, elogiou o diretor.

Heber se define como uma pessoa um pouco ansiosa e “pilhada” no que diz respeito ao trabalho. Gosta de ver as coisas acontecer e, não raro, acompanha jobs e ações bem de perto. Levando isso em conta e o atual momento de isolamento, João perguntou ao gestor como estava sendo para ele a adaptação ao novo cenário. “Eu tenho mantido a rotina. Confesso que tem sido mais difícil gerenciar as atividades no sentido de encerrar um dia de trabalho. Muitas vezes, entro noite adentro e até madrugada planejando ações”, relatou Heber.

Sobre a dinâmica de trabalho, João quis saber de que forma Heber, no dia a dia, apontava direcionamentos e mantinha a interlocução com a presidência e equipes.

“Rotineiramente, falo com o Antonio Queiroz (presidente da Fecomércio RJ), Regina Pinho (diretora regional do Sesc RJ) e Sérgio Ribeiro (diretor regional do Senac RJ). Também mantenho reuniões de pauta diárias com gerentes coordenadores e encontros, virtuais, claro, mais pontuais quando precisamos tratar de ações específicas. O WhatsApp é um aliado da comunicação, mas há um esforço muito grande em uniformizar direcionamentos. Apesar disso, um aspecto positivo é que as reuniões ficaram mais diretas no universo virtual. Embora, nada substitua o contato presencial. São os dois aspectos de tudo na vida, prós e contras. No final, tudo tem fluido muito bem”.

Aproveitando a temática trabalho versus contexto Covid-19, Roberto questionou Heber se ele já avistava novas possibilidade e mudanças para o mercado de trabalho pós-pandemia. “Eu acredito que o mercado vá se adaptar, sim. Algumas empresas já valorizavam o trabalho remoto, mas acho que, agora, vão enxergar mais vantagens nessa dinâmica. Creio que outras características do modelo atual e relações comerciais também vão se dinamizar, mas é preciso viver um dia de cada vez e observar”, disse o diretor.

João, que está desde 2011 no Senac RJ divide o home office com a esposa, que é professora. “Definimos um espaço para cada um. Fiquei com a sala, ela com o escritório. Precisamos nos adaptar, mas somos resilientes”, disse o colaborador, reforçando que a preocupação com os pais idosos é uma constante na nova realidade. “Falo com eles sempre, remotamente. Vamos levando dessa forma, sempre otimistas”, complementou.

Roberto também precisou organizar um espaço em casa para se dedicar com tranquilidade às atividades profissionais, embora a rotina siga mais ou menos do mesmo modo. “Meu trabalho é muito analítico e no computador. Mas sinto muita falta do convívio social. Neste momento, até do metrô e do percurso para o trabalho, tenho sentido falta”, contou o colaborador sem abrir mão do bom humor, salientando tomar sempre cuidado com o excesso de notícias a que assiste na televisão. “Tento ver apenas as principais notícias, evitando a sobrecarga de informação.”

Assim como João e Roberto, Heber também dividiu no encontro a própria experiência no afastamento temporário e o que tem feito para se distrair e administrar a preocupação com a crise mundial e o futuro. “Eu tenho lido muitos artigos da área de comunicação. Estou aqui com uma pilha de livros na fila de espera, e gostaria de conseguir me dedicar mais a essas leituras para dar uma relaxada. Tenho assistido algumas lives e séries também”, disse.

Em relação ao aspecto emocional, Heber contou ainda que costuma ser muito prático para lidar com essas questões e tem tentado pensar em um dia de cada vez.

“Costumo não me deixar tomar pelo medo. Claro que é um momento de reflexão e cuidado consigo e com os outros, mas me mantenho positivo. É uma característica minha, tento manter a serenidade.”

De uma família ligada ao ramo da comunicação, “meu pai, minha mãe e outros familiares tiveram suas profissões ligadas à comunicação”, Heber diz ser um apaixonado pelo que faz.

Iniciou a carreira como estagiário no antigo Jornal do Brasil, no segmento de promoção. Depois, seguiu para o mercado publicitário, no qual atuou primeiro como redator, posteriormente, como diretor de criação
Na década de 1990, se associou a um escritório de publicidade, a Agência Via 4, que atendia grandes clientes de forma personalizada, prestando serviços a outras agências de propaganda e marketing. “Durante vinte anos, me dediquei a essa agência. Aprendi muito, vivi muita coisa e tenho muito orgulho dessa trajetória”, relembrou.

Nesse ponto da entrevista, os colaboradores pediram a ele que contasse um pouco sobre como do mercado publicitário chegou até o cargo que ocupa hoje no Sistema S. “Em 2018, Heber recebi o convite para direção da comunicação e marketing da Fecomércio RJ, Sesc RJ e Senac RJ. Tive 24 horas para pensar. Minha rotina mudou de um dia para o outro, literalmente. Mas eu abracei esse desafio. Aqui, aprendo todos os dias, já que a comunicação lida com todas as áreas da engrenagem que compõem as instituições. Tenho o privilégio de coordenar equipes compostas por profissionais qualificados e muito maduros. É muito gratificante”, salientou.

Para encerrar o bate-papo, os colaboradores pediram que Heber deixasse uma mensagem para os colegas de Sistema em meio ao cenário de distanciamento.

“Vou parafrasear Churchill [Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra]: o pessimista vê dificuldade em toda oportunidade. O otimista vê oportunidade em toda dificuldade”, finalizou.

 

 

 

 

 

 

Veja o nosso #tbt desse mês.