Desde que o distanciamento social por conta da Covid-19 teve início, colocamos a tecnologia em ação para trabalhar e nos comunicar. Da nossa rotina, agora fazem parte reuniões por chamadas de vídeo, conversas virtuais, lives sobre o mercado de trabalho e até mesmo uma prática mais ampla de cursos online. Contudo, a adaptação não aconteceu somente no que diz respeito às atividades profissionais. A saudade dos familiares e dos amigos fez com que até os mais resistentes aprendessem a usar aplicativos para se sentirem próximos daqueles que amam, ainda que fisicamente distante.

Samantha no home office com a filha

Chamadas diárias para checar como estão os pais idosos ou para matar a saudade dos filhos e dos netos, happy hour com amigos, festas de aniversário e comemorações – todas virtuais – preenchem as brechas neste momento de distanciamento. E que felicidade poder contar com essas ferramentas, não é mesmo? Afinal, somos seres gregários e sociais, como explica a psicóloga Samantha Soares, da Gerência de Desenvolvimento Organizacional do Senac RJ:

— Nascemos para viver em grupo, em sociedade, e esse isolamento forçado nos mostrou o quanto estar junto nos faz bem. As nossas melhores memórias são aquelas rodeadas de pessoas queridas, então, é natural que busquemos outras formas de contato para suprir a necessidade de socialização, manter nossos vínculos e de experimentar a vida em grupo. Com o isolamento, sentimentos difíceis de lidar, como ansiedade, solidão e angústia, podem emergir a todo momento.  As chamadas de vídeo e outras possibilidades virtuais de encontro não substituem, claro, a presença física, mas acalentam o nosso espírito em meio a este momento inédito da sociedade.

Para Samantha, que também aderiu aos encontros remotos com amigas e familiares, além de nos levar a aprender novas formas de nos comunicar, o isolamento pode deixar outras lições valiosas no que diz respeito à forma como vivemos. “É uma grande oportunidade de ressignificar nossa maneira de encarar a vida. Nós precisamos sair desse desafio diferentes de como entramos. Creio que este período deixará em nós uma sensação de que coisas simples, como um mergulho no mar ou um abraço, têm mais valor do que imaginávamos. Estar junto e compartilhar a vida com o outro são privilégios que precisamos valorizar”, complementou a psicóloga, deixando um conselho àqueles cujas novas formas de se relacionar causam ainda estranhamento:

— SE PERMITA! Busque viver o “novo normal” como uma criança: sem medo de aprender e viver novas emoções. E isso inclui pensar coletivamente, rever sua relação com mundo, e como é possível respeitar o outro.

Michele comemorando com os amigos

Festeira por natureza, Michele Borges, analista de eventos da Gerência de Comunicação e Marketing do Sesc RJ, adora comemorar seus aniversários. Este ano, por conta do isolamento social, ela sabia que os festejos teriam de ser diferentes e, com isso, confessa ter ficado um pouco triste e apreensiva. “Gosto de estar com meus familiares e amigos e sempre comemoro com eles meus aniversários”.

A solução para não deixar a tradição de lado e celebrar a vida foi marcar um “parabéns” virtual. “Uma semana antes, avisei os amigos e comecei a falar com alguns familiares para que baixassem o aplicativo e fizéssemos testes de modo que, no dia, todos pudessem participar”, disse Michele, que preparou bolo, cantou parabéns e recebeu o carinho dos seus em uma festa virtual de aniversário.

Essa ocasião está longe de ser a única em que Michele usou a tecnologia e as chamadas de vídeo para aproximar distâncias. Além de falar com o pai e parentes com frequência, uma vez por semana, ela se reúne para happy hour com um grupo de amigos antigos e, ainda, com as amigas mais próximas.

“Aproveitamos para colocar o papo em dia, beber um vinho, atualizar as novidades sobre a vida de cada um. É um momento de descontração e de nos sentir perto um do outro. Costumo dizer que o isolamento é físico, mas não social. Podemos e devemos manter nossos vínculos como for possível para enfrentar tudo isso da melhor forma que pudermos”, comentou.

A distância também não impediu Michele de demonstrar o afeto que sente pelos amigos da maneira que pode. Ela tem lançado mão de serviços de entregas em domicílio para fazer chegar o seu amor na casa dos amigos. “Semana passada, soube que uma grande amiga está grávida. Eu gostaria muito de dar um abraço nela, estar perto, mas, neste momento, não pude. Então, encomendei um presente para o bebê e uma cesta de café da manhã para ela e mandei entregar na casa dela para demonstrar que estou perto. Em outra ocasião, mandei entregar um vinho na casa de uma amiga para que pudéssemos bater-papo e brindar juntas, virtualmente”, disse Michele.

 Carlos Eduardo pronto para a festa!
Carlos Eduardo pronto para a festa virtual!

Ainda, ajudar pequenos produtores ou pessoas que se lançaram ao empreendedorismo recentemente, por conta da oferta reduzida de trabalho causada pela pandemia, tem sido um motivo adicional para que as pessoas encomendem diversos artigos para si e para presentear.

De mais a mais, comprar produtos como mimos, cestas de café da manhã ou customizadas, comidinhas e outros afagos e paparicos para receber em casa ou surpreender alguém que está distante tem sido uma prática comum durante a quarentena. Além de uma questão prática, a ideia de ter acesso a artigos que diminuam a sensação de estranheza em meio ao isolamento é um dos motivos para o novo comportamento.

O instrutor das áreas de Comunicação e Eventos do Senac Copacabana, Carlos Eduardo Lima, é também adepto dos encontros, comemorações virtuais e lives temáticas como forma de estar perto dos amigos e familiares. Aliás, mais do que um adepto, ele é um fomentador dessas realizações, por assim dizer. Carlos tem produzido conteúdo para o Instagram focado em dar dicas para quem quer fazer festejos caseiros e aproveita para divulgar pequenos fornecedores para abastecer as realizações domiciliares. É o que relata:

— Tenho pensado e refletido muito sobre o setor de eventos nos últimos tempos. A forma imediata de ajudar foi produzir conteúdo para estimular as pessoas a se divertirem mesmo dentro de casa e de divulgar fornecedores que pudessem completar essas ocasiões.

Por Carlos Eduardo Lima

- Se vista a caráter!

- Elabore uma decoração típica de festa junina. Use o que tiver em casa. O que vale é a preparação. É preciso estar aberto a algumas adaptações, mas o importante é não deixar de celebrar. Isso nos dá ânimo para passar pelo que estamos enfrentando.

- Busque uma live de São João, conecte com os amigos e comemorem!

- Encomende algumas delícias para sua festa em casa. Consuma do pequeno empreendedor, bolos doces, aquelas festas na caixa que vêm com um pouquinho de tudo relacionado ao tema.

Veja mais neste vídeo no Instagram de Carlos (@eduardolimatv):

 

Veja a matéria Cotidiano especial das mães.