Outubro Rosa e Novembro Azul: conscientização e prevenção

O câncer é uma das doenças que mais mata no mundo. Somente na última década, a incidência de casos cresceu 20% em todo mundo. No Brasil, a estimativa é que este ano haja, ao todo, cerca de 600 mil novos casos. O câncer de próstata e o câncer de mama são dois tipos da doença com alta incidência no Brasil e, normalmente, estão relacionados ao tabagismo, abuso de álcool, sedentarismo, má alimentação e obesidade. O câncer de colo uterino também precisa ser lembrado, porque, quando não tratado adequadamente, pode ser fatal.

Iniciativas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul ganharam força nas últimas décadas e têm o objetivo de chamar atenção para a causa, de modo que mais casos possam ser prevenidos e tenham rastreamento (quando não há sintomas da doença maligna) ou diagnóstico precoce (quando os sintomas ainda são iniciais), o que pode ser determinante para a vida de quem é acometido pela doença.

Para falar sobre o tema e derrubar mitos que envolvem esses tipos da doença, o Entre Nós convidou Flávio Wittlin, Gerente de Saúde do Sesc RJ. Confira e previna-se!

Mitos e verdade sobre câncer de próstata

Ter na família casos de câncer de próstata aumenta o risco de desenvolver a doença.
Verdade. Quem tem parente de primeiro grau com histórico de câncer de próstata, tem o dobro de chances de apresentar a doença, comparado ao resto da população masculina. Neste caso, a recomendação é que o acompanhamento com urologista seja a partir dos 40 anos.

O câncer de próstata sempre apresenta sintomas.
Mito. Muitas vezes, no comecinho, essa malignidade é totalmente desprovida de incômodos. Afinamento do jato urinário, desconforto local, urgência urinária diurna ou noturna e sangramento na urina costumam aparecer nas fases mais intermediárias da doença. Dor lombar forte e persistente denotando metástase para a coluna tendem a aparecer mais tarde.

O câncer de próstata é uma doença que acontece apenas em idosos.
Mito. Apesar de menos frequente, esse câncer pode ocorrer em homens com menos de 50 anos. A partir dessa idade, é o câncer mais comum entre eles, depois do câncer de pele não-melanoma.

Hoje em dia, exames modernos são capazes de substituir o exame de toque para diagnóstico do câncer de próstata.
Mito. O exame de toque retal continua sendo crítico e insubstituível para o diagnóstico. Em combinação com o Antígeno Prostático Específico (PSA), fornece mais precisão à suspeita, cuja confirmação requer a realização de biópsia da glândula. Mas, atenção, os especialistas atualmente recomendam que tanto o PSA quanto o toque não devem ser mais realizado rotineiramente, mas em casos indicados pelo médico em face da presença de sintomas (diagnóstico) ou de fatores de risco reconhecidos (rastreamento) em cada paciente.

A alimentação interfere nas chances de adquirir câncer de próstata.
Verdade. Na prática, ter uma alimentação saudável ajuda na prevenção de todas as doenças e tipos de câncer. Uma alimentação contaminada por agrotóxicos ou capaz de aumentar excessiva a gordura corporal, ao contrário, pode contribuir para o surgimento ou agravamento do câncer de próstata.

Mitos e verdade sobre Câncer do Colo de Útero

O câncer de colo de útero é uma descoberta com desfecho fatal?
Mito. Diagnosticado precocemente, mediante o exame de Papanicolau feito de modo regular, o seu tratamento pode ser 100% curativo. Fique ligada nisso!
A obesidade aumenta a chance de ter câncer de útero?
Verdade. De fato, as mulheres obesas produzem mais hormônios que estimulam o endométrio favorecendo a formação do câncer do útero. Portanto, é importante manter o peso adequado e ter acesso a uma dieta balanceada.

Depois que se retira o útero, nunca mais a vida sexual fica satisfatória?
Mito. Diversas mulheres que trataram o câncer e realizaram a retirada do útero mantêm vida conjugal ativa e satisfatória. Tudo depende do tratamento adequado, das orientações apropriadas e da afinidade com o parceiro.

Se estou na menopausa e volto a ter sangramento vaginal, tenho que procurar o médico para investigar e tratar a causa?
Verdade. Após a menopausa, a mulher não deve ter sangramento pela vagina. Se isso acontecer ela deve procurar o médico para realizar exame ginecológico e investigar suas possíveis causas.

O HPV não pode ser curado?
Mito. Em geral, o vírus HPV é eliminado pelo organismo, mas, algumas vezes, persiste podendo facilitar o surgimento de tumores malignos. As melhores formas de evitar a infecção são a vacinação preventiva e o uso de preservativo nas relações sexuais com parceiros infectados.

Mitos e verdades sobre o Câncer de Mama

O exame de mamografia pode ser substituído pelo autoexame das mamas?
Mito. O autoexame não pode tomar lugar da mamografia, nem do exame físico feito pelo profissional de saúde. Ele é essencial para a mulher conhecer o seu próprio corpo e reconhecer quando há alguma alteração. É recomendado que seja feito mensalmente por todas as mulheres, sendo apropriada a escolha de uma data fixa no mês.

Amamentar protege as mamas do câncer?
Verdade. Amamentar pode diminuir o risco do câncer de mama. Quanto maior o tempo de amamentação, maior a proteção. O risco diminui devido à queda na produção do estrogênio durante o período de amamentação.

Próteses de silicone podem causar câncer?
Mito. Não há relação entre o câncer de mama e as atuais próteses de silicone. O único ponto negativo é que o implante pode dificultar a descoberta de tumores.

Obesidade e sedentarismo podem aumentar as chances de ter a doença?
Verdade. O excesso de peso, principalmente após a menopausa, pode fazer com que o tecido gorduroso que se acumula no corpo produza estrogênio e aumente as chances de desenvolver a doença.

Só tem câncer de mama quem tem histórico familiar?
Mito. Nenhuma mulher está livre de desenvolver a doença, porém, ser filha, irmã ou mãe de mulheres que tiveram câncer de mama pode elevar o risco para o desenvolvimento da doença.

Quem menstrua muito cedo ou tem menopausa tardia tem maior probabilidade relativa de desenvolver a doença?
Verdade. Mulheres com menarca precoce (antes dos 12 anos) e/ou menopausa tardia (após os 55 anos) apresentam maior risco de câncer de mama, devido à maior exposição ao hormônio estrogênio.