Criação dos filhos: disciplina com empatia e respeito

Educar com firmeza e, ao mesmo tempo, gentileza: de forma bastante resumida, esse é o conceito de educação positiva, prática para a criação dos filhos que busca disciplinar reforçando aspectos positivos da criança e com base na empatia e no respeito.

Após uma cena de birra ou desobediência, em vez de brigar, conversar, olho no olho, com a criança. Nada (MESMO) de beliscões, apertões no braço ou gritos. O tom deve ser de conversa. Em vez de reprimendas, o adulto precisa enxergar o lado positivo da situação para propor aprendizados aos pequenos. Essas e outras posturas são propostas da educação positiva e já fazem parte do dia a dia de muitos pais contemporâneos na busca por uma criação mais saudável, capaz de formar, para o futuro, adultos mais amorosos e seguros de si.

Por diálogos mais amorosos

Além de educar de forma positiva, outro recurso tem sido amplamente praticado – e com bastante sucesso – por famílias que querem, sim, disciplinar suas crianças, mas preferem um caminho mais amoroso: a comunicação não violenta (CNV). “Lançando mão da empatia, a CNV propõe uma comunicação mais respeitosa e eficaz. Sem diálogos que possam gerar humilhação, medo, vergonha, acusação ou coerção. Ora, faz muito mais sentido educar praticando aquilo que se quer ensinar: respeito, diálogo, escuta, compreensão e não violência, não é mesmo?”, esclarece Adriana Santos, Gerente de Educação do Sesc RJ.

Qual a dica infalível de amor e disciplina na educação dos seus filhos?

Foi pensando em ajudar pais, mães, avôs, avós, tios, tias, madrinhas e padrinhos que querem formar pequenos em adultos confiantes, felizes e conscientes, que o Entre Nós reuniu dicas de mães e pais do Sesc RJ e Senac RJ para compartilhar experiências daquilo que praticam em casa com suas crianças. Confira!

“Além de sempre ressaltar características positivas dos meus filhos, busco valorizar quando eles tomam boas iniciativas, mesmo quando essas atitudes não geram resultados esperados. Algumas vezes, a rotina nos tira do prumo, e me vejo diante de comportamentos dos quais não me orgulho. Aí, para mim, a melhor saída é fazer o caminho de volta, pedir desculpas de forma clara e tranquila. Acho que é um bom exercício para que meus filhos cresçam também reconhecendo as suas falhas e o impacto que elas podem gerar no outro.”

Alessandra Brum, Gerente de Relações com a Imprensa do Sesc RJ e do Senac RJ e mãe de mãe de Adriano (13) e Maria (11).
“Tenho uma filha de 10 anos, a Bruna, e essa idade é um período peculiar de descobertas, aprendizados e do início das influências do mundo moderno, internet, youtubers etc. Sempre valorizei na criação da minha filha a prática ativa de diálogo. Acredito que a forma mais básica de educar nossos filhos é com amor, carinho e respeito. Essas são as principais motivações para que as crianças possam trilhar sem medo um bom caminho e passarem à frente tudo o que aprenderam.” 

Bruno Rosa, Assistente Administrativo da Gerência de Comunicação e Marketing do Sesc RJ e pai de Bruna (10).
“Eu acredito que a conversa é sempre o melhor caminho, eu abaixo para conversar com os meus filhos e busco o “olho no olho”. Procuro explicar os "nãos" que retribuo a eles em seus pedidos, e não somente o “não é não”. Se o Miguel me pede um brinquedo mais robusto fora de hora, eu levo a conversa para a negociação e tento uma saída de aprendizado que, ao mesmo tempo, seja lúdica. Falo que ele até pode ganhar, por exemplo, na ocasião do Natal, aniversário, Dia das Crianças, e reforço que é importante saber esperar. Mas que ele também pode se planejar, juntar o dinheiro para ele mesmo comprar e sugiro: ‘Que tal a gente fazer um cofrinho? E se fosse de material reciclado?’. Aí, já tiramos o foco da negativa e transformamos a situação numa brincadeira. Não vejo valor nenhum em ser aquela mãe que é uma figura de autoridade, que julga. Eu quero mesmo é ser uma educadora e mãe afetuosa.” 

Juliana Aquino, Executiva de Relacionamento Corporativo do Senac RJ e mãe de Vitor (17), Guilherme (10) e Miguel (4).
“Não há fórmulas para a criação de filhos. Na minha opinião, enquanto nenhum gênio cria a fórmula, a educação pelo exemplo ainda é a melhor maneira. Sou o mais novo de cinco filhos, fui tio aos 8 anos de idade e tive a sorte de ter podido participar de muito perto da educação dos meus sete sobrinhos. Cada um foi criado à maneira dos pais, sempre levando em conta o amor e o respeito ao próximo, e eu tive a chance de observar. No meu caso, com quatro filhos, além de muito amor e respeito, buscamos, com bom senso, ensinar a importância da parceria, diálogo e organização.”

Pedro Teixeira é Superintendente de Operações do Senac RJ e pai de Luca (16), Manuela (13), Bruno (12) e Julia (9).
“Nada paga o vínculo afetivo que criamos com nossos filhos. Quero ser sempre amigo da minha filha, por isso, busco sempre conversar muito e estar presente. Por isso, busco sempre compreender o universo dela. Uma dica mais cotidiana que ajuda muito a ensinar regras ou mesmo temas mais sérios, como respeito, ética e outros valores, é usar jogos e brincadeiras que aproximem esses conceitos do mundo da minha filha. Uso, por exemplo, Poli Pockets para ensinar a agradecer e pedir desculpas e dividimos o chá igualmente entre os unicórnios e fadas. Dar autonomia ao invés de criar dependência é um artifício que também tento praticar.  Agora que ela já está maiorzinha, coloquei todo o seu guarda roupa numa altura que ela pudesse escolher sozinha a sua maneira de se vestir. Fato que às vezes ela sai de sereia para o supermercado, mas como esse simples arranjo me salvou horas diárias de escolhas, e ela é uma criança muito segura de si.”

Kiko Duarte de Andrade, Analista Pleno de Eventos do Sesc RJ e pai da Morgana (5).
“Procuro construir o relacionamento com as minhas filhas à base de muita confiança e conversa. Acho fundamental também que os pais busquem, apesar de todos os afazeres, ter uma participação ativa na vida dos filhos. Com uma filha na pré-alfabetização e outra no sexto ano, época em que as matérias começam a aumentar, busco acompanhar e dar suporte aos estudos, pois essas transições podem ser desafiadoras. Sentamos juntas, tiro dúvidas, comemoramos as conquistas, conversamos sobre os temas das matérias. Percebo que a minha participação dá segurança a elas, então, acho que a iniciativa tem sido prazerosa e produtiva para as meninas.”

Rafaela Justo, Gerente Jurídica do Sesc RJ e mãe de Valentina (12) e Catharina (5).
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